Pois não foi fácil, mas também não foi tão dificil assim.
Confesso que o arranque foi complicado mas depois tudo foi fluindo.
Senti a tentação de não falar, de deixar para outra altura. Mas, que outra altura? Nah, o que tem que ser, tem que ser.
Foi duro ver a tristeza deles. Foi duro ver a incompreensão deles. Do tipo: mas, se vocês se dão bem, se são amigos, então, porquê? Porquê? E eu (obrigada KT) retaliava: pois, amigos, mãe, disseste bem, amigos. E até ficariamos assim, sim senhora, se tivessemos 70 anos. Mas não temos. Somos muito novos. Gostamos um do outro como amigos. Mas não como homem e mulher.
E a minha mãe (o meu pai nunca falou, só lhe via o queixinho a tremer) só dizia: mas, se se dão bem... não compreendo, não compreendo.
E diz-me assim logo na abertura, depois, pais eu tenho eu tenho coisa a falar-vos: eu e o M. estamos a separar-nos; estamos não, já estamos, vamos é agora formalizar a coisa. E daí fui abrindo o leque. A minha mãe diz: da tua irmã ou do teu irmão, eu até contaria uma coisas destas, agora de vós...E o M que é tão boa pessoa. Pois é, mãe, pois é, eu sei que é e espero que o continuem a tratar com todo o respeito que ele merece. A nossa prioridade são os pequenos, queremos fazer tudo para evitar o sofrimento deles. E, por isso, peço-lhes que sejam discretos sobre este assunto: às vezes, uma palavra mal dita no contexto errado pode fazer danos muito graves. Se tiverem perguntas ou comentários, ou o que for, façam comigo, sempre comigo. Eu aguento tudo. Os meus filhos, não. Quero poupá-los e preserva-los o melhor que puder. Peço-lhes que continuem como até aqui, nem mais nem menos. Nada mudou: esta é a minha realidade há já quase um ano. A diferença é que agora vocês sabem. É isto. É o que é. E no final da conversa, a minha mãe diz: filha, nem vale a pena tentar fazer nada; já têm tudo tão resolvido e decidido, vejo-te tão decidida, que nem sequer vale a pena tentar fazer nada... Eu disse: mãe, continuem só a ser o que sempre foram. Só peço isso.
E demos um abraço. Eles foram para casa deles. Eu fui para a minha.
E só agora me estou a permitir chorar.
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Porque há músicas que nos dizem tanto...
Sugar Mice, Marillion. Composta pelo vocalista, Fish, quando se separou da mulher.
I was flicking through the channels on the TV
On a Sunday in Milwaukee in the rain
Trying to piece together conversations
Trying to find out where to lay the blame
But when it comes right down to it there's no use trying to pretend
For when it gets right down to it there's no one here that's left to blame
Blame it on me, you can blame it on me
We're just sugar mice in the rain
I heard Sinatra calling me through the floorboards
Where you pay a quarter for a partnership in rhyme
To the jukebox crying in the corner
While the waitress is counting out the time
For when it comes right down to it there's no use trying to pretend
For when it gets right down to it there's no one really left to blame
Blame it on me, you can blame it on me
We're just sugar mice in the rain
'Cos I know what I feel, know what I want I know what I am
Daddy took a raincheck
' Cos I know what I want, know what I feel I know what I need
Daddy took a raincheck, your daddy took a raincheck
Ain't no one in here that's left to blame but me
Blame it on me, blame it on me
Well the toughest thing that I ever did was talk to the kids on the phone
When I heard them asking questions I knew that you were all alone
Can't you understand that the government left me out of work
I just couldn't stand the looks on their faces saying, "What a jerk"
So if you want my address it's number one at the end of the bar
Where I sit with the broken angels clutching at straws and nursing our scars
Blame it on me, blame it on me,
Sugar mice in the rain, your daddy took a raincheck
I was flicking through the channels on the TV
On a Sunday in Milwaukee in the rain
Trying to piece together conversations
Trying to find out where to lay the blame
But when it comes right down to it there's no use trying to pretend
For when it gets right down to it there's no one here that's left to blame
Blame it on me, you can blame it on me
We're just sugar mice in the rain
I heard Sinatra calling me through the floorboards
Where you pay a quarter for a partnership in rhyme
To the jukebox crying in the corner
While the waitress is counting out the time
For when it comes right down to it there's no use trying to pretend
For when it gets right down to it there's no one really left to blame
Blame it on me, you can blame it on me
We're just sugar mice in the rain
'Cos I know what I feel, know what I want I know what I am
Daddy took a raincheck
' Cos I know what I want, know what I feel I know what I need
Daddy took a raincheck, your daddy took a raincheck
Ain't no one in here that's left to blame but me
Blame it on me, blame it on me
Well the toughest thing that I ever did was talk to the kids on the phone
When I heard them asking questions I knew that you were all alone
Can't you understand that the government left me out of work
I just couldn't stand the looks on their faces saying, "What a jerk"
So if you want my address it's number one at the end of the bar
Where I sit with the broken angels clutching at straws and nursing our scars
Blame it on me, blame it on me,
Sugar mice in the rain, your daddy took a raincheck
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Amor de mãe
Foi quando fui mãe pela primeira vez que descobri o amor. Foi depois dessa descoberta que descobri o desamor. Pelo M.
Achei, então, que aquele amor que brotou das minhas entranhas era o "tal", o único amor incondicional. Não há espaço e lugar para mais.
Foi quando decidi que filhos, nem mais um. Porque aquele amor absorveu todo o meu stock. Não era possivel mais objectos de amor. Aquele amor é tudo. Preenche tudo.
Depois veio outro filho. E, afinal, havia lugar para mais: este amor é elástico. E incondicional. Exactamente assim.
Foi quando fui mãe pela 1ª vez que percebi o amor da minha mãe. E foi também quando fui mãe que percebi que nunca, mas nunca vou ser amada como amo. Porque sou filha também. E não amo a minha mãe como amo os meus filhos.
Achei, então, que aquele amor que brotou das minhas entranhas era o "tal", o único amor incondicional. Não há espaço e lugar para mais.
Foi quando decidi que filhos, nem mais um. Porque aquele amor absorveu todo o meu stock. Não era possivel mais objectos de amor. Aquele amor é tudo. Preenche tudo.
Depois veio outro filho. E, afinal, havia lugar para mais: este amor é elástico. E incondicional. Exactamente assim.
Foi quando fui mãe pela 1ª vez que percebi o amor da minha mãe. E foi também quando fui mãe que percebi que nunca, mas nunca vou ser amada como amo. Porque sou filha também. E não amo a minha mãe como amo os meus filhos.
.......
Uma Nova Tela
Aqui tens-se falado de muita coisa: de indignação, de dúvidas, de alguma "revolta", de medos, mas também de vitórias, de aprendizagens, de novas vidas.O divórcio é algo que nunca deixará de viver dentro de cada uma de nós como um episódio marcante, ver mesmo traumatizante no sentido de uma ferida bem profunda que nunca desaparece totalmente.
É comum dizer-se que o divórcio é a segunda maior dor depois da morte de um ente próximo: eu direi mesmo que será a 1ª, pois é um acontecimento vivido na 1ª pessoa, que nunca chega a sair de nós.
Não é uma realidade que se consiga entender, na sua real dimensão, de fora para dentro mas é sem dúvida uma dor que é preciso curar de dentro para fora.
É um sentimento de derrota profunda que reaparece, sem aviso prévio, aqui e ali.
Mesmo assim, e depois de muita dor, de muito sofrimento, de muita culpabilização (porquê eu?, o que é que eu fiz de errado?), chega o dia em que é preciso encarar a vida como uma tela limpa, sem marcas, sem manchas, sem nódoas: branca.
É preciso chegar àquele dia em que as questões deixam de fazer sentido, em que as dúvidas deixam de estar tão (omni)presentes.
É preciso chegar àquele ponto de viragem em nos damos uma segunda oportunidade, como se nada de mau nos tivesse acontecido.
Esse dia acaba sempre por chegar, com o tempo a passar, com a maturidade e com a (inevitável) relativização dos factos.
Chega aquele dia de inspiração (divina) em que ousamos finalmente fechar os olhos sem medos. Aquele dia em que somos capazes de imaginar, sentir e viver um novo amor.
Um amor porventura imperfeito (como todos são), mas feito de cores vivas, imune aos flashbacks. Chega aquele dia em que nos sentimos irremediavelmente livres das lembranças do divórcio e em que tudo, mas tudo, volta a fazer sentido.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A vida a dois e a corrosão
A vida a dois tem momentos de fricção, de luta, de conflito, que não há amor que resista à corrosão da intimidade. Não é o tempo - a sua passagem - que mata o amor, os sentimentos - é o desgaste do quotidiano, a perda dos rituais de acasalamento, de namoro, em que nos esforçamos por mostrar o nosso melhor e passamos a mostrar o que somos - na melhor das hipóteses - ou a deixar para a chegada a casa, no fim de cada dia, para revelar o nosso pior - na pior das hipóteses. E é por isso que os sentimentos se preservam melhor à distância. E é por isso também que os amores eternos são os que nunca se concretizam.
O que acontece depois do "e foram felizes para sempre" nas histórias de encantar?
O que acontece depois do "e foram felizes para sempre" nas histórias de encantar?
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Truques power
Para que o gás das bebidas alcoólicas (tipo Lambrusco) se aguente (no improvável caso da garrafa não acabar e se queira guardar o resto no frigorifico) é só enfiar 1 garfo ou 1 colher metálica no gargalo.
Resulta!
Resulta!
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