quinta-feira, 20 de maio de 2010

Monólogos Passados (20-05-09)

by LX:

Ninguém ensina nada a ninguém... as pessoas é que aprendem, se quiserem ou puderem, acrescento eu: mas na verdade eu tenho aprendido muito com as pessoas que cruzam/cruzaram a minha vida. Bem hajam.
Ser feliz é um caminho não uma meta. É andar de coração aberto (entra muita bordoada que nos ensina a avaliar o que temos de bom e nos faz crescer sai muita dor e muita mágoa) pois esta é a unica maneira de garantir que estamos à altura do desafio.
É saber dar graças por se estar vivo.
É aceitar ser-se virado do avesso sem pré-aviso pelo simples facto de se acreditar, de se ter fé porque se aceita que o amanhã será sempre melhor. Ainda que amanhã seja daqui a uns tempos...

domingo, 16 de maio de 2010

Pois não chega. O amor não chega.
Só chega quando temos dezasseis anos e a vida e os sonhos todos pela frente. quando somos meninas e acreditamos que não precisamos de mais nada para viver. Quando somos um livro limpo cheio de páginas em branco para escrever.
Mas a vida que é dura e desconfortável, encarrega-se de mostrar isso. Que não chega.
Não chega porque já vivemos demais para saber que precisamos de muito mais para além de amor para viver.
O amor pelos filhos é incondicional, mas esse amor não nos torma melhores mães. Tornanos simplesmente mães. Por isso são a nossa prioridade e a nossa responsabilidade.
Por isso se encontram no topo da piramide e nós em segundo, muitas vezes em terceiro lugar.
Por isso só nos permitimos fazer algo por nós, quando cumpridas as responsabilidades e respeitadas as prioridades relativas aos nossos filhos.
Não, o amor só não chega.

sábado, 15 de maio de 2010

Não chega

Sou adulta. E mãe. A conjugação deste duplo estatuto gera responsabilidades e a necessidade de definir prioridades. Respeitadas as responsabilidades, cumpridas as prioridades, então, sim, pode vir o meu bem estar e prazer. Feito o que devo fazer e o que tenho que fazer, então posso fazer o que quero e quando posso.
No meu percurso de vida pesa-me a consciência de um querer, um querer muito muito muito: ser mãe. E depois descobrir que não basta querer; é preciso saber. Mais: não há segunda oportunidade, não há delete, não há start over again.
Os meus filhos são a minha responsabilidade, o topo das minhas prioridades. Só não quero que sejam o meu sacrificio. Não me dou bem com sacrificios.
Amo os meus filhos. O unico amor eterno que conheço. Mas o amor não chega.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dialogos Parentais (12-05-2010)

(hoje ao jantar)
mini: mamy, gostas de algum rapaz lá do teu trabalho?
eu, em pensamento - ora bem, parece-me uma adaptação da minha clássica pergunta: "mini, gostas de algum rapaz lá da escola?")
eu: não mini, não gosto de nenhum rapaz do trabalho
mini: e tens namorado?
eu,em pensamento - mau... o que é que vem por aí...
eu: não mini, não tenho namorado
mini: quando tiveres vou ter dois pais
eu, em pensamento - mau, mau, isto não é uma pergunta; é uma afirmação...
eu: claro que não mini. Tu já tens pai e só tens um e só vais ter um. Sempre.
mini: quando tiveres namorado, ele não vem viver cá para casa
eu, em pensamento - como????
eu: não? porquê?
mini: porque já somos muitos cá.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Abdicar de um afecto ...

Deixá-lo morrer em nós. Sem transpôr, ainda que inconscientemente, para uma terceira pessoa a falta que aquele ser que somos forçados a deixar nos faz.
 
É difícil. É duro.
 
Há dias de raiva. Há dias de tristeza. Há dias de apatia. Há dias de revolta.
 
Já não pela partida do outro - quem não nos quer não os merece e nós não merecemos quem não nos quer - mas pelo facto de se perder sempre algo.
 
Definitivamente sinto hoje que perdi a capacidade de acreditar - não escondo a esperança de um dia voltar a acreditar - em alguém.
 
Vejo-me constantemente como uma bóia de salvação, uma muleta e dificilmente acreditarei que alguém me veja de outra forma. E tudo isto porque deixei que alguém realmente me "visse" ... e agora vejo-me como fui vista.
 
E fui vista como tudo aquilo que eu não quero ser.
 
A Amiga (a letra maiúscula, parece que faz diferença) extraordinária que se quer preservar para a vida inteira, a mulher inteligente que pensa muito depressa e cuja clarividência muito se preza e agradece porque é um pilar essencial na vida nova de alguém com uma vida desfeita.
 
Mas tudo isto um dia já fui, fui mãe do pai dos meus filhos, vivi para o sonho de uma familia e esqueci-me de mim ... e que por isso quis deixar de viver até.
 
E o egoísmo masculino efectivamente vem ao de cima ... quando tudo passa fica sempre a "Amiga" ... como se a Amiga forte fosse feita de ferro e pudesse assistir de camarote, calma, impávida e serena à paixão esfusiante e arrasadora ... caída do céu aos trambolhões, no espaço de 2 semanas do Amigo ...
 
Haja pachorra! Quem não gosta ... não gasta. Deixe ficar. Para algo melhor esta menina há-de sobrar.
 
Ora poupem-me.
Ou melhor: poupo-me. Sempre que consigo.
 
Preservando-me. Afastando-me do que me magoa.
Respeitando-me. Não fazendo uma prioridade de quem faz de mim uma opção.
Valorizando-me: fazendo coisas que dignificam a minha forma de estar na vida e contribuem para o efectivo bem estar dos meus filhos.
 
E tudo isto porque nas relações humanas a Lei de Lavoisier não se verifica. Quando se quebra um laço afectivo algo efectivamente se perde.
 
 
ps: prometo Kitty que não hei-de fugir de mim. Não me vou distrair de mim.
 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O egoismo dos homens

Os homens são egoístas. Contra mim falo que estou a criar três.
Espero sinceramente conseguir ensiná-los melhor que isso.
Estou a braços com um futuro ex-marido que só pensa no seu umbigo. só pensa no eu, eu e mais eu. E faz de tudo para que EU não tenha vida própria. E o mais engraçado é que quem acaba por sair prejudicado no fim de contas, não sou EU mas sim as crianças, os que menos culpa tem de tudo isto.
Ultrapassa-me, mas acaba por me fazer mal.
De facto como dizemos muitas vezes, os homens e as mulheres são diferentes tem diferentes visões do mundo. Sensibilidades diferentes, prioridades diferentes, necessidades diferentes.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O dificil equilibrio entre cultivar a auto-estima e desenvolver monstros egocentricos

Tenho para mim que ser mãe é das tarefas mais complicadas e árduas à face da terra.
Como saber qual o limite em puxar pela auto-estima das nossas crias, faze-los confiar nas suas habilidades, acreditar nas suas capacidades, para que não se caia no extremo de desenvolver um super ego, a ideia de si próprios como os maiores e os melhores?
Elogio as minhas crianças sempre que fazem algo bem. Repreendo-os sempre que erram.
Relativizo os seus feitos e proezas, ignoro falhas menores(e serão, menores?).
Ando às cegas no papel de mãe. Não li guião, não recebi manual de instruções, não fiz formação patrocinada pela CE, financiada pelo POPH ou pelo diabo a quatro.
Desempenho este papel na base da tentativa e do erro. Sem saber se a tentativa foi a acertada, apavorada pelas sequelas do erro.
Sou mãe e não sei se o sei ser. E esta dúvida apavora-me.