quarta-feira, 4 de abril de 2012

O poder de poder escolher

Escolher é uma das duas coisas mais difíceis que um ser humano tem de fazer na vida.
 
E a escolha certa é a que nos valoriza enquanto pessoas e nos liberta do que nos magoa, que preserva a nossa identidade e os valores que temos como fundamentais e nos fazem ter vontade de saltar da cama todas as manhãs.
 
Não sei fingir. Ou melhor ... até sei. Faço-o muitas vezes na minha vida profissional. Ganhei muitas negociações assim. Fingindo não saber o que sei, mostrando-me incapaz de antever what comes next quando na verdade já vi tudo o que havia para ver e isso concede-me à partida uma vantagem que o meu opositor não tem. Nunca perdi uma negociação.
 
Na minha vida pessoal não sou capaz de ser assim. Dou todos os benefícios de todas as dúvidas até ao dia em que contra factos não há argumentos. Sou uma mulher de palavras e de palavra.
Mas confesso-me fascinada por Atitudes. Gestos que, ao contrário de palavras não deixam espaço a dúvidas.
 
 
E perante determinados factos fingir magoa-me. E se não posso ser eu mesma ... então estou no espaço errado.
 
 
 
 
 
E hoje acordei cedo e saltei da cama.
Sem pestanejar.
Já escolhi.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Diálogos Passados (2009-11-27)

O amor ou a arte do amar ou nem 1 coisa nem outra

NK

Durante toda a minha vida tive um conceito de amor. Conheci o platónico inicialmente e durante muito tempo confesso fui atraída por esse tipo de amor. Chorava noites e noites por amores platónicos não correspondidos e na minha solidão criava história fantasiosas do homem que me iria amar verdadeiramente.
A primeira vez que me apaixonei ao ponto de dizer amo-te estava eu nos meus 21 anos perdida nos sonhos e ilusões. A verdade é que com ele a minha definição de amor encaixava, claro que houve ajuste, moldes a fazer. Com o tempo e hoje analisando friamente o amor passou a uma enorme e grande amizade com relevos de paixão talvez porque os nossos corpos já se conhecessem tão bem e bastava um olhar para percebermos o que o outro necessitava.
Com o fim dessa relação perdi o meu conceito de amor ou apenas o escondi numa gaveta bem funda para não ter de lidar com ele e com a sua poderosa alegria e/ou a sua fria tristeza que poderia trazer.
Hoje, o meu conceito de amor ainda é o mesmo de quando tinha 21, mais maduro claro, talvez um pouco mais cauteloso, mais desconfiado mas reparo que à minha volta o conceito de amor parece ter mudado. Será que ainda me perco em ilusões?
Amor para mim é dar tudo sem ter de se pedir e receber sem ter obrigatoriamente de dar. É apoio incondicional. É desejo. É partilha. É saber que íamos ao fim do mundo por essa pessoa...
Serei eu, de facto, muito exigente? Demasiado sonhadora? Ou o conceito de amor mudou e eu ainda não o aprendi?

KT

De facto estou a ver a tua concentração….
Nem exigente, nem sonhadora… é o teu conceito…e por isso não mereces rigorosamente menos do que isso... e se para seres feliz (ou por outra teres momentos e instantes mais ou menos longos de plena harmonia) é isso, então menina… sê exigente e sonhadora!!!
Para mim amar é o que disseste e muitas mais pequeninas coisas… (tipo aqueles ditos da caixinha de fósforos… “Amor é …”
Mas é curioso e concordo contigo que a nossa maneira de amar vai mudando, torna-se mais madura, com outras necessidades, mas baseia-se sempre na partilha e no “estar lá “ de forma incondicional… é não é? Desconfiado é que não… da última, bem que caí e foi um tombo valente! E tudo porque me perdi em grandes ilusões como uma adolescente! Acho que a paixão - e o amor em sua parte - nos transportam para consecutivas adolescências! E é tão bom viver nessa adolescência madura!!!
Já me apaixonei algumas vezes… amar a serio? Não sei. Acho que também pelo menos duas! E de uma delas posso até dizer (que o sentimento ainda se mantém! Mas também me enganei e acho (quase tenho a certeza!) que imaginei sentimentos! Esta coisa de se imaginarem sentimentos é estranho, fruto talvez da carência e solidão, não será? Ou de enorme desejo que “desta vez é que é”, “agora vai dar tudo certo, tem tudo para dar certo”…
Sabem que me faz alguma confusão aquele amor não correspondido e que nunca chegou a ser palpável ou real entre duas pessoas, aquele que ficou apenas num dos lados! … Aqueles que conseguem amar à distância (não distância em Km… os que espreitam, e ficam a observar de longe!)…
Eu não conseguiria… poderia gostar, mas se visse que não era correspondido tentar-me-ia afastar e acho que não cresceria ao ponto de amar… porque para mim para chegar a esse ponto é necessário trocas: de palavras, pensamentos, historias, carícias (eventualmente!)… não sei!
O que me parece e assim em jeito de check-mate é que o conceito de amor é muito diferente entre homens e mulheres!
Perdi-me nos meus pensamentos… desculpem!!!

LB
Em tempos, mandei isto que se segue para algumas de vós. Hoje mando para todas. Ficam agora todas em igualdade de circunstancias sobre o que se passa(ou) comigo.
Apaixonei-me uma vez com 17 anos. Apaixonei-me por uns olhos bonitos, por um rapaz atraente.
Casei com ele aos 29 anos.
Divorciei-me dele aos 39 anos.
Para alem dos olhos lindos, tem 1 coração lindo, um interior bonito. É um bom ser humano. Ainda assim, o amor bateu asas e fugiu. O meu por ele. O dele por mim.
Apaixonei-me 2ª vez aos 38 anos. Sem ver cara, olhos, corpo. Apaixonei-me por palavras, diálogos, pensamentos – por aquilo que, no fundo, é a tradução do coração.
Só mais tarde vi o “físico”. E gostei. Não vos sei dizer se tivesse sido ao contrário – 1º a atracção física, depois o encontro de corações, almas, o que fosse… não sei se teria acontecido alguma coisa.
Pensei que era recíproco. Durante algum tempo, tive a certeza disso, que era recíproco.
Agora, ficou só a dor.
Por agora, não tenho definição de amor.

S

A dor passa. Passa mesmo. Isto dito por alguém que não há muito tempo passou pelo mesmo. E se passou a dor, aquela que eu julgava que ficaria para sempre.
Hoje estou feliz. Acabei de redefinir o que é o amor.
Assim de repente, a vida muda.
O teu amor está por aí à espera.

Adoro-vos.

NK

Ai mulheres, de facto cada uma de nós carrega a sua história, as suas dores e alegrias. Quantas vezes sorrimos para o Mundo e o Mundo não nos sorri, quantas vezes disfarçamos o que nos vai no peito...
E é assim, que ao ler os vossos mails me dá uma enorme vontade de chorar e de vos abraçar...
Um beijo enormeeeeeeee!!!!

LX
Opá ... caporrra, pá! O mundo não sorri porque também tem direito à vida e a estar com os azeites, pá!
Disfarçar o que me vai no peito?
Desculpa ... não é possível!!!

Ai eu hoje tou de hormona frenética ... ah pois tou!!! Não sei se foi da chuva ou da inteligência artificial composta ... mas o que é facto é que tou assim a modos que "flexisexy" como diz uma amiga minha .... e o fds tá à porta!!!!!!!!!!

vá toca a sacudir a bunda e abanar as meninges ... a auto comiseração nunca foi boa companhia para ninguém e penas têm as galinhas embora as dos galos ...

E por falar em galos ... apetece-me desancar galos hoje, não é de raiva ... é puro gozo!!

Pois é vê-lo sacudir as penas à porta do galinheiro:

"ó pra mim jeitosa! tou aqui!!! tás-me a ver????"

E a galinha quietinha no choco compenetrada no seu papel de desprezo-ignorância ...

" Olha vês? Olha ... faço pintaínhos muito bonitos!!!"

Tá bem abelha :(

"Olha, agora vou-me embora (offline) Oooops! Olá cá estou eu de novo!"....

Agora vais teclar com a Vénus de Milo que te lixas... Diverte-se a galinha podre de riso...

Escrever? Mas os galos escrevem? Epá ... agora que virei galinha decidi que sou infoexcluída: não vou ao "net pingo doce", não sei ler, não sei teclar ... e sou absolutamente insensível a fotos de bébés e crianças.

E o teatrola continua até que a galinha fecha a porta do galinheiro! E como o galo já levou c'a porta nas fuças 3 vezes esta semana ...

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Eternos putos.
Ou ... pintos.

P2R

auto-comiseração?
não me parece...
por vezes gostava que por um dia que fosse andassem nos meus sapatos....
sim...porque a mim o que me entristece são as coisas que me aconteceram...o resto foda-se, sei lidar...e não sou nenhuma pata choca...toda a vida trabalhei como uma besta...até para ter um car*** de um alfinete...sempre sustentei a casa e um ex marido...e o meu querido lindo filho...
Sou o apoio dos meus pais e família...
tenho um trabalho que nem me dá tempo para coçar...ontem cheguei a casa quase à meia noite...



NK

P2R, todas nós temos os nossos fantasmas. Cabe-nos a nós e só a nós ultrapassar ou pelo menos aprender a lidar com isso à partida que isso atrapalhe o nosso bem-estar e/ou a saúde mental. Existem dias em que todo esse peso nas costas torna-se demasiado pesado e quase impossível de carregar, são "fantasmas" que temos de lidar. Eu tenho um que ainda me atazana e não sei se um dia o ultrapassarei. Talvez a tua cruz seja nesse sentido maior que a minha porque é assim que a sentes mas eu tenho outra que é tão grande como a tua e tu essa não tens. Por isso amiga, cruzes, fantasmas, falta de auto estima, etc etc, todas temos e sim quando estamos assim, achamo-nos as ultimas e as únicas...porque afinal somos sempre nós que temos de lidar com isso.
LX, essa conversa de galos e pintos já me fez rir. Mas pá eu cá não sou galinha chocadeira, nem gosto de pintos a cantar de galo no meu galinheiro



BXL

Olá a todas,

Chego tarde pelo que vejo, mas sempre a tempo de comentar, espero eu.
Pois bem, acho que fantasmas, dores físicas ou psicológicas, temos todas.
Terão porventura nomes diferentes, aparências diferentes, mas todas nós temos marcas.
Marca do crescimento (estrias), marcas da maternidade (bicos grandes/grossos), marcas do tempo (rugas). Umas são mais visíveis que outras, mas são todas nossas ,e não vejo mal nisso.
Acho que a pior marca é certamente a marca da dor, do desalento e da tristeza. E essa nem com cremes, nem cirurgias ela sai, a não ser que façamos por isso.
O maior encanto de um homem/ mulher não advém da sua beleza exterior. Ajuda mas não vem.
Cuidem das novas auto-estimas, porque ninguém o fará por nós.

Beijos a todas, todas

domingo, 28 de novembro de 2010

Diálogos Passados (2008-11-28)

LX:

Ó gaja...fracciona o testamento...que eu estou aqui a morrer de brotoeja...isto é, vai mandando...
Não estás a escrever os Lusíadas II, não???
Não faças nada que não sintas LB. E se não sabes o que sentes faz tudo o que estiver ao teu alcance para que decubras o mais rápido possivel.
A tua vida não é só tua, gaja, tens dois filhos que merecem e precisam de ter uma mãe segura, segura do que quer. E é assim: deixa-te de merdas de energias de coisas à tua volta. As coisas à nossa volta estão carregadas de energias de outras pessoas e muitas merdas que desconhecemos. Mais que nunca: concentra-te em ti, a energia vem do que sentimos.
Faz a meditação balinesa: sorri. Vai sorrindo cada parte do teu corpo até sentir que as tuas entranhas também sorriem e para isso não precisas de mestre; o teu mestre está contigo e em ti: vai-te a ele!
Aproveita o dia. O amanhã, não o sabemos.

LB:
Sim. Carpe diem. Mas o Carpe Diem de hoje não contempla isso. Bem queria, ó queria, mas os planos (leia-se obrigações) não são os que queria. Nem respondi ao sms. Para quê?

LX:
Para quê? Para dizeres que hoje os teus filhos precisam de ti mas o teu coração está algures...que não pode ser hoje. E quem te diz isto é uma gaja que anda há 18 anos aos gritos numa praia, seja verão ou inverno, que aquele bocadinho de mundo tem que lhe bastar. E não quero que te aconteça o mesmo. Responde-lhe. E tou-me a cagar se tou a interferir na tua vida, porque não te desejo um décimo do que tenho passado.

domingo, 21 de novembro de 2010

Vítimas de vítimas

Tenho para mim que este exercício da maternidade só tem uma maneira de ser feito: pela emoção e reacção. Nunca pela razão ou pró-acção.
Porque se fosse um acto pensado com pró-actividade, ninguém se atreveria a exercitar a maternidade.
A infância é uma fase traumática, em que seres puros e de luz são conspurcados por outros seres outrora puros e de luz conspurcados por outros seres outrora puros e de luz conspurcados por outros...até chegarmos ao início dos tempos e da história da humanidade.
Na tarefa diária de formar e educar filhos, queremos para eles o melhor. E que esse melhor seja diferente daquilo que para nós foi o pior, quando esse pior foi o melhor que os nossos pais quiseram para nós.
Somos vítimas de vítimas e só sabemos é fazer mais vítimas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Diálogos Parentais (2010-11-16)

(Hoje, ao jantar)

minime: Mamy, quando eu tiver um namorado vou gostar mais dele do que de ti?
eu: não mini, vais gostar duma maneira diferente.
minime: Ufa! É que eu não ia gostar nadinha de gostar mais dum namorado do que de ti... Eu até nem gosto de rapazes...gosto mais de meninas... Quando for grande vou ter 3 filhas muito, mas muito bem comportadas...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Monólogos de mini

(no carro, atentos à reportagem que se fazia ouvir):

"Ter poucos amigos ou nenhuns é tão prejudicial à saúde como fumar 15 cigarros por dia ou não fazer exercicio físico"

minime (após longo silêncio):

O ano passado nas férias em Bragança fiz uma amiga cega, na piscina. Mas só brinquei com ela uma tarde. Se tivesse brincado mais tempo, talvez ela tivesse deixado de ser cega...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Novo conteúdo nas lancheiras dos minis

Ora, atendendo a que o IVA dos leites achocolatados e dos sumos que costumo colocar nas lancheiras dos minis, dia sim, dia não, passar a 23%, irei começar a enviar 1 garrafita de Casal Garcia ou Porta da Ravessa, já que o IVA será "só" de 13%

E acho que vou mandar uma carta à Ministra da Educação a propor que substitua o pacotito de leite achocolatado que lhes fornece ao fim de cada jornada diária por 1 garrafita dum bom vinho.

sábado, 16 de outubro de 2010

Diálogos Parentais (2010-10-14)

(ao fim do dia, no regresso a casa)
minigajo: hoje de manhã chorei, porque não queria ir para a escola
eu (já previamente informada): sim? E porquê isso?
minigajo (silêncio)

Durante o jantar, mamy volta à carga:
Então, mas diz-me lá o que se passa na escola... é a professora? São os deveres, o que é?
minigajo: não, não é a professora.
eu: os deveres? são dificeis?
minigajo: não, é tudo fácil
minime (no alto da sua importância de mana mais velha, experiente e conhecedora da matéria): mamy, é o G. É 1 chato do caraças e nos intervalos passa a vida a meter-se com o mini...
eu: é mini? Então, mas conta-me lá o que é que ele faz
minigajo faz resumo alargado dos acontecimentos, com postura de inferior.
eu: minis, metam na cabeça uma coisa: ninguém é melhor que vocês, ouviram? Ninguém! Nem pior. São todos diferentes e únicos, ok? O G não é melhor que tu, mini!
minigajo: é é...
eu: em quê?
minigajo: a lutar
eu: Em quê???? E que lhe adianta ser melhor a lutar? O que vai o G fazer com isso quando for crescido?
minigajo: vai ser lutador de wrestling...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Diálogos Parentais (2010-09-26)

No carro, à vinda da praia, a ouvir " Forever young" (como é hábito e por exigências dos minis, vou traduzindo algumas letras das músicas que vamos ouvindo):

minime:
Tu queres ser para sempre jovem, mamy?
eu:
era fixe, era, mas não pode ser...
minime:
Isto é engraçado mamy, porque é que quando se é criança quer-se ser adulto e quando já se é adulto quer-se ser criança? Eu gostava de ser adulta, mas acho que se pudesse escolher, era sempre criança.
eu:
e porquê?
minime:
porque, eu crescendo, tu ficas velha. Assim, se eu não crescer tu ficas forever young...

Senta

“Senta-te direita que não consigo pentear-te assim!” “Ai vó! Mas está a magoar!” “Como te pode estar a magoar se ainda mal te toquei?”

Lá fechei os olhos e engoli em seco, todos os dias passava por aquilo, não havia como evitar aquele ritual, avó de escova enorme em punho, não era uma reguada que levava, é certo, mas quando se tem riças teimosas no cabelo até os dedos fazem ferida se se lembram de por lá passar. E ainda dizem que o cabelo não dói. “Direita!” “sim, vó, direita, estou direita.” Eu ali muito pequenina, sumida quase, a achar que se me encolhesse a dor era mais fácil de suportar. Não era. “Pronto, custou assim tanto? Todos os dias a mesma coisa!”. Levantei a cabeça para receber o consolo final, um sorriso e promessa de torradinhas quentes com manteiga a derreter para o pequeno-almoço. “Com leite morninho, vó?” “Sim, leite morninho”. Bebi-o de um trago “Vó, quero furar as orelhas.” “Furar as orelhas pra quê? A tua mãe não deixa.” “Ó vó...não lhe dizemos nada”, “limpa-me esses bigodes de gato”, “ouviste, vó?” “sim, ouvi. Como queres não lhe dizer nada? Andas de brincos e achas que ela não vê?” “Vó, não é isso. Não lhe dizemos nada antes. Dizemos depois”, “estás tolinha” “não estou!”

Vó.

A minha avó. “tens a pele macia, vó”. Eu fechava aos olhos enquanto lhe passava a mão pela cara, parecia mel, um sulco, mel, um sulco, mel... “Vó, és velha?”

Um sorriso a escapar-se. “Sim, meu amor, sou velhota sou.”

“Quando eu crescer não quero ser velha, vó.” “Vais ser velha só depois de seres nova durante muito muito tempo.”


Porque hoje me lembrei de ti, avó.

domingo, 26 de setembro de 2010

Diálogos Parentais (2010-09-26)

(hoje ao jantar)
minime: Eu vou ter 3 filhas: Lia, Lua e Luz. E se o meu marido não concordar, "divoricio-me".

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Diálogos Parentais (2010-09-23)

Hoje ao jantar, minigajo:
Quando eras pequenina, o que querias ser quando fosses grande?
eu: jornalista
minigajo: e foste?
eu: não
minime: porquê?
eu: Porque quando entrei para a faculdade, esse curso era em Lisboa e eu tinha começado a namorar com o papi e não queria ficar longe dele. Então, mudei de curso só para poder estudar cá no Porto.
minime: porque é que as pessoas fazem tudo por amor?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Querer, queria os dois ao mesmo tempo

Por mais civilizado que tenha sido o divórcio, por mais amigos que ambos sejam, compinchas, companheiros e afins; tenha sido muita ou pouca a convivência de pai, mãe e filhos num mesmo espaço e tempo, há sempre um momento, uma situação, um acaso em que ouvimos da boca dos filhos algo assim do género:
querer, queria o pai e a mãe ao mesmo tempo.
Porque parece que, para terem um, precisam de abdicar do outro. Quase como se lhes fosse pedido para responder àquela questão antiga como os dinossauros: gostas mais da mamã ou do papá?
Não se pergunta. Ponto. Não há resposta para este absurdo. Ponto.
Abala-me pensar que os meus minis têm pensamentos destes? Que, querer, queriam os dois ao mesmo tempo? Abala-me pois. Mas não me derruba. Não me derruba da firme convicção que, apesar de tudo, de tudo mesmo, eles não seriam mais felizes se todos estivessemos juntos, se isso implicasse que um de nós - os pais - não estivesse feliz.
Pais juntos não é garantia de mais felicidade para filhos.
Posso não estar (ser) feliz. Mas não estaria mais feliz se ainda estivesse no meu casamento. E, assim sendo, também estou certa que os minis não estariam mais felizes do que agora estão.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Há muito. Há tanto tempo...

...que não vinha aqui. Não falo de ver, falo de escrever. Hoje olho para trás e vejo um momento da minha vida em que ponho tudo em causa. Em que me pergunto onde erramos nós para acharmos que nunca somos felizes. E é esta constante busca da felicidade que me enerva. O não me contentar com o "suficiente". Porque o suficiente nem sei bem o que é. É um estado de alma? É um encolher de ombros e aceitar as nossas vidas como são/estão?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Solidão


Depois de ler o post da LB fui-me deitar mas as palavras dela ecoavam ma minha mente como picadas de alfinete. Tive de me levantar e escrever.

A LB refere uma palavra que foi a que me fez escrever este texto: Solidão.

Após me separar, senti uma solidão terrível. Não só pela falta do companheiro mas também porque nunca tive muitos amigos pois sempre fui muito solitária. Solidão essa, que agora já não era tão apetecida e que tinha de sobra.
Passado um tempo após a separação comecei (achava eu) a lidar bem com a solidão e até gostava. Fazia o que queria, há hora que queria, como queria e isso era de facto bom. Mas tornou-se insuficiente porque acima de tudo no final sentia-me SÓ.
A verdade, é que só ultrapassei essa solidão passado um ano e tal após o rompimento. Foi aí que vi que tinha de viver só mas que não tinha de ser infeliz. Decidi que tinha de cuidar mais da minha vida a vários níveis. Passei a sair, sozinha ou acompanhada, a fazer coisas que gosto fora e dentro de casa, a experimentar novos desafios e acima de tudo a cultivar novos amigos e regando os poucos que já tinha. Felizmente, tive muito boas surpresas. O pânico de acabar só e a minha vida ter sido só trabalho foi-se desvanecendo embora esteja sempre presente. As coisas não resultaram de imediato mas lá acabei por ir preenchendo muitos dos espaços em branco que existiam.
Hoje tenho um relacionamento mas sei que a solidão existe sempre, está sempre à espreita e por qualquer maldita razão ela pode novamente ganhar as dimensões que a muito custo a fiz perder.
Porém, a consciência da existência dela fez-me ver e querer algumas coisas de forma diferente, porque não quero acabar na solidão mas se assim for quero saber que vivi a vida.
Não deixei de ter medo dela apenas não quero que ela seja maior do que o meu medo.

E é assim que coexisto com a minha solidão.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Abrandamento

É o que nos está a acontecer. Depois de meses a fio de partilha, confidências, amores e desamores, tristezas e alegrias, lágrimas e risos, eis que entramos num período de abrandamento. Quase paragem.
As powers andam muito caladas, pouco participativas.
Umas porque estão a banhos, outros porque estão quase a ir a banhos e têm milhares de urgências para terminar, outra (esta) porque já veiodos banhos e tem trabalho até cima da cabeça pelo menos 6 palmos... Trabalho, trabalho, trabalho. A "desculpa" do abrandamento que estamos a viver.
Algumas de nós vivem um período de calmaria, de felicidade, até, e equilibrio emocional. Outras fingem que o vivem assim também. E fingem tão bem que quase acreditam. Pelo menos, até se encontrarem frente a frente com a sua solidão.
Já muito partilhamos. Já muito foi dito. Talvez agora seja o tempo de pouco dizer.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O sabor de um beijo

Escrever sobre um assunto que remete para o campo das experiências é como perguntar pelo sabor de um beijo. Haverá sempre respostas únicas, mas plurais decorrentes de uma experiência única mas plural. Falar da minha experiência do divórcio é como falar da minha experiência do beijo. Irei dar uma resposta única, a minha, embora vivida por uma pluralidade de pessoas.
Quanto me pedem para falar do meu casameno e posterior divórcio, tenho alguma dificuldade em relembrar como foi. Quais foram os sonhos que me levaram ao casamento e as desilusões que me conduziram ao divórcio. Na verdade, pensando bem, acho que o problema do meu casamento foi precisamente esse: a ausência de sonho e de sabor. Hoje sei que tudo na vida tem de ser sonhado para que possa ter "sabor". Um amor, para existir, tem de saber a algo. Tem de apelar a algo que transcende a racionalidade ou a explicação óbvia. Tem de ter aquela capacidade única (e por vezes ridícula) de nos fazer andar para a frente mesmo sem saber porquê. Um amor não tem de ter uma justificação socialmente correcta ou indivualmente certa: tem apenas de "ser". Tal como o beijo, plural na sua expressão, mas único no seu paladar.

Monologos Passados (2009-06-17)

Desculpem... mas é só um intervalinho...
letra de uma música que estou a ouvir... daquelas minhas musicas meio estranhas... mas achei que tinha tudo a ver e impulsivamente cá vai

"The past is a memory
the future, an expectacion
neither past nor future actually exists
there is simply eternal now"

É uma grande verdade não é??? Eu acho que sim... e acho que a vou tatuar!! Nas mãos para que possa olhar para ela n vezes ao dia e para que nunca me esqueça!!!

by KT

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Diálogos Recentes (2010-06-17)

P2R

Powers, lanço-vos um desafio. O que aprenderam depois do div? Quais foram as lições mais importantes que tiraram?
Começo eu.
Quando um homem diz que está confuso e está com muitos problemas, blá,blá,blá. Não está (mais) interessado mas não quer perder a amizade ou ficar mal no figurino.
Quando sentimos que algo não está bem na relação ou algo nos faz ter uma atitude que nem nós esperavámos, é porque está na hora de levantar ancora e pormo-nos a andar. Quando temos de abdicar de muita coisa na nossa vida em prol de alguém (gajo) então a relação é como se estivesse já terminada.
Tretas como eu não posso viver sem ti, és muito boa amiga, estás sempre aí para mim (quando nem há reciprocidade) é bazar, manda-los dar uma volta ao bilhar russo.
Palavras leva-as o vento, acções precisam-se.
Não sofrer por antecipação, já conhecer o filme só pelo começo, e saber o final e os extras do filme.
É não ter receio de estar sozinha, é gostar de estar sozinha muitas vezes.
Dar valor quando se vê um casal a discutir e a desrespeitar-se e pensar: uiii que não tenho nada destas chatices para aturar.
É saber que não queremos algo que nos satisfaz (tem de ser bom, excelente), mesmo que satisfaça mais ou menos. Não, não chega, não basta.
E muitas mais, mas para já chega :)

LX
Que ter filhos é a melhor coisa do mundo.
Que viver de coração aberto vale a pena. E ainda há-de valer mais.
Que o mundo não vai acabar amanhã...
Que hoje só é hoje até logo à meia noite...e o que não fizer hoje...terei de fazer amanhã ou poderei nunca mais ter hipótese de voltar a fazer.
Que a Lei de Lavoisier não se aplica às relações humanas. Quando um laço afectivo se rompe efectivamente algo se perde.
Que a esperança é imprescindivel mas só em doses controladas...porque é efectivamente uma faca de dois gumes.
Que é possivel ser desejada.
Que os homens são de três espécies: os que procuram uma mãe, os que andam perdidos deles mesmos e os que me perderam. Falam duma quarta espécie mas estou como S. Tomé...

NK
Há uma montanha de coisas que ganhamos e outra montanha que perdemos.
Exemplificar tudo seria moroso e acho que passa muito por algumas coisas que disseram.
O que guardo de bom no final é que de facto não é o fim do mundo, e às vezes até é, de facto, o melhor para nós. Para mim, foi.
O que guardo de mau é ainda não ter ultrapassado a falta de confiança que tenho no sexo oposto. Basta algum sinal que possa ser parecido com outros idos e a minha cabeça começa logo a apitar e fico logo nervosa e a mandar chispas como modo de protecção mas que recai muitas vezes sobre a pessoa errada. E no fim sinto-me culpada. E triste. Sinto que ainda tenho muito para dar mas um enorme medo de me magoar novamente.
E às vezes tenho um pavor enorme de me sentir feliz, porque a verdade é que me tenho sentido feliz. Mas ainda outro dia comecei a chorar porque estava assustada por estar feliz porque penso logo que a felicidade vai acabar. Enfim...cabeça complicada :) Ah! Uma coisa que aprendi e isso NUNCA mais farei é manter pançudos.

BXL
Pois eu concordo com muitoque a P2R disse e com o que a NK disse também. Acho que a aprendizagem maior foi sem dúvida alguma aprender a viver e a estar sozinha comigo mesma. Essa foi a minha maior aprendizagem. Foi ter acreditado em mim em 1º lugar e depois nos outros. Foi aprender a não sofrer por antecipação, também algo, nesse campo ainda falta um pouco.
Foi ter aprendido a partilhar, a dividir. Foi ter pegado em mim com as duas mãos e atirar-me ao precípicio sem medos. Foi ter conhecido gente nova, ter aprendido a partilhar. Aprendi a colocar-me no lugar do outro. Saí da minha concha. Foi ter tomado consciência das coisas boas da vida e aprender a deixar as que partiram.
Foi ter aprendido a abdicar de muito por causa de outra pessoa e ter aprendido que o caminho do amor não é o caminho mais fácil, mas é o mais certeiro. Foi, no entanto, não ter aprendido a aceitar a felicidade com naturalidade, tal como diz a NK, e isso é terrivel. Denota uma grande insegurança e algum medo.

KT
Já disseram tanto... Aprendi que de fraquezas faço forças... que quando achava que não dava mais, afinal não era assim... que de facto há muito mais depois do fim... que ninguém morre de amor ou desilusão... Que as marcas são grandes e para sempre... No fundo, lições não sei se tirei alguma... reforçou a minha ideia que infelizmente já tinha "atingido" há que viver o dia a dia com intensidade, apreciar as pequenas coisas...há que viver e amar com todo o nosso ser... não sabemos o amanhã...

LB

Eu aprendi algo muito mais terreno e prático: que divorciar é caro de caraças...gastei uma pipa de massa porra!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Hmmmm

Li num livro: é bem mais facil ser generoso do que egoísta? Que vos parece??

KT